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TOMOGRAFIA HELICOIDAL

TOMOGRAFIA HELICOIDAL
A TC helicoidal consiste na obtenção de imagens seccionais do corpo dos pacientes através da rotação do anel tomográfico (gantry) que contém a ampola radiológica e da aquisição contínua de dados pelos detectores à medida que a mesa avança no interior do anel.

Os dados adquiridos podem ser reformatados em qualquer plano anatómico e podem inclusivamente fazer-se reconstruções tridimensionais das regiões estudadas, aumentando a capacidade diagnóstica desta tecnologia. A resolução espacial da TC, que é a capacidade de identificar e distinguir pequenas estruturas, é superior à da ressonância magnética.

A criação informática das imagens de TC baseia-se na forma de absorção da radiação X pelos diferentes tecidos, mas ao invés da radiografia convencional, que só distingue cinco graus de opacidade, a TC é capaz de detectar de expor mais de 2000 graus de densidade (medidos em Unidades Hounsfield). Esta superior resolução de contraste permite a diferenciação entre tecidos moles e fluidos. É possível aumentar ainda mais a resolução de contraste dos tecidos através da administração intra-vascular de agentes de contraste iodados semelhantes aos utilizados na radiologia convencional, tanto pela intensificação de tecidos com metabolismo alterado, como em inflamação ou neoplasias, como na distinção de estruturas adjacentes com vascularização distinta.

Em medicina humana a TC já é a modalidade imagiológica de eleição para diversos estudos. Em medicina veterinária ainda dependemos muito da radiologia convencional, mas estamos no início de uma nova tendência que começa a alterar os paradigmas de abordagem diagnóstica. No passado, devido à necessidade de imobilização os nossos pacientes tinham geralmente de ser submetidos a anestesia geral prolongada para a realização dos estudos tomográficos. Com o advento das novas tecnologias é possível fazer a aquisição dos dados em poucos minutos, sendo apenas necessária uma sedação profunda ou uma anestesia curta de até 15 minutos na maior parte dos estudos completos, ao contrário da ressonância magnética que ainda carece de anestesias longas para os protocolos de aquisição. As imagens podem ser tratadas posteriormente numa estação de trabalho independente que consiste num computador dedicado com elevada capacidade de processamento.

Em medicina veterinária a TC já é utilizada rotineiramente na abordagem diagnóstica de uma grande variedade de patologias, sistemas e órgãos. A TC é considerada a modalidade imagiológica de eleição para a maioria das patologias intra-torácicas, excluindo as cardíacas. Um estudo recente1 demonstrou que a radiografia convencional detecta apenas 9% das metástases pulmonares identificadas por TC. Outra grande vantagem da TC é a sua utilização nas biopsias que não podem ser realizadas de forma ecoguiada. Esta modalidade, comummente apelidada de tomografia intervencionista, é aplicada com frequência na obtenção de amostras intra-torácicas e intra-cranianas.

Outras situações onde o diagnóstico por TC é vantajoso incluem as regiões nasal, retrobulbar, nasofaríngea, canal auditivo e bolha timpânica, articulação temporomandibular, corpos estranhos migrantes e abcessos, fracturas do esqueleto axial ou articulares, doenças musculo-esqueléticas, planeamento pré-cirúrgico oncológico de tecidos moles, maxilar e mandibular, tiróide, patologias abdominais de diagnóstico ecográfico difícil como obstruções ureterais ou biliares, ectopia uretral, shunts portossistémicos, invasão vascular por massas adrenais, angiografia, massas intra-pélvicas e na maioria dos estudos imagiológicos de animais exóticos. Na generalidade a TC é considerada superior à ressonância magnética na imagiologia de osso, tórax, cabeça, pescoço e abdómen.

Recentemente a TC sofreu um escrutínio na medicina humana devido ao número de exames realizados em cada paciente e a radiação associada a esta modalidade. É opinião geral no seio da medicina veterinária que este problema não se aplica aos nossos pacientes devido à sua esperança média de vida, que limita o número de exames executados e o tempo de vida pós-exposição radiológica. Adicionalmente, o seu tamanho corporal reduzido permite a utilização de protocolos de redução de exposição radiológica utilizados em pediatria e presentes nos equipamentos mais recentes.

A aquisição de um equipamento de tomografia computorizada helicoidal é actualmente um passo natural em centros veterinários de referência na generalidade dos países desenvolvidos. Os exames podem ser produzidos sob a forma de relatório clínico e acompanhados dos dados em bruto em suporte digital para posterior visualização e processamento nos computadores das clínicas remetentes. Aumentando a qualidade geral dos serviços prestados, o seu principal objectivo visa oferecer um novo meio de diagnóstico à comunidade veterinária envolvente que através da referência pode beneficiar de um meio de diagnóstico rápido, cómodo, fiável e bastante económico.

  

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