BREVE NOTA SOBRE UVEÍTES EM CÃES

Uveíte é por definição uma inflamação da úvea, estrutura vascular anatómica ocular constituida pela íris, corpo ciliar e coroide. Em situações em que apenas a parte anterior da úvea está afectada (íris e corpo ciliar) falamos em uveíte anterior; quando existe apenas lesão a nível da úvea posterior, denomina-se coroidite/coriorretinite ou uveíte posterior. Quando existe uma afectação das tês estruturas uveais, falamos em panuevíte.

As uveítes podem apresentar-se de vários modos. Podem ser francamente exsudativas com a presença de proteínas e detritos celulares suspensos no humor aquoso (devido à quebra da barreira Humor aquoso/sangue a nível do corpo ciliar), presença de coágulos de fibrina, hifema, hemorragias vítreas ou subretenianas. Poderão haver situações mais subtis onde apenas surge uma ligeira congestão dos vasos episclerais e limbais com diminuição da pressão intra-ocular. O diagnóstico das uveítes subclínicas pode ser francamente difícil e a etiologia nem sempre é fácil de determinar.

As uveítes podem ter diversas causas: podem ser traumáticas, infecciosas (virais, bacterianas ou parasitárias) ou imunomedediadas (pemphigus, lupus, facoinduzidas), neoplásicas (neolpasias intraoculares) ou paraneoplásicas (linfomas, mieloma múltipo). No entanto, numa percentagem relativamente significativa de uveítes nos cães poderá não se conseguir definir uma etiologia para a uveíte.

Normalmente, a presença de uma uveíte (uni ou bilateral) deverá ser sempre um chamado de atenção para a possibilidade da presença de uma patologia com possível envolvimento sistémico (excepto em casos de uveítes traumáticas nas quais existe uma relação causa efeito directo). Deste mod, há alguns exames de diagnóstico que devem ser rotineiramente realizados, para além de um exame oftalmológico exaustivo: despiste de doenças infecciosas frequentemente implicadas em uveites (erliquiose, babesiose, leishmaniose e a dirofilariose poderão ser as mais frequentes em Portugal), a realização de um proteínograma e eventualmente a realização de punções medulares ou exames de imagem caso se suspeitem de uveítes neoplásicas ou paraneoplásicas.

O tratamento deverá ser o mais adaptado possível à causa encontrada. No entanto, o tratamento com corticosteroides tópicos (verificar sempre a inexistência de úlceras de córnea) e sistémicos deverão ser sempre denominadores comuns, salvo em raras excepções - poderão os corticoides sistémicos estar contra-indicados em pacientes com insuficiência renal crónica, diabetes, hipertensão ou situações infecciosas como piómetras. Nestes pacientes poderão ser utilizados anti-inflamatórios não esteroides como o meloxicam.

Figura 1: Uveíte idiopática num canídeo macho fêmea de 6 anos. Foram realizadas titulações para despiste de  doenças infecciosas, proteínograma, ecografia abdominal – sem qualquer etiologia encontrada classificou-se como imunomediada. Foram prescritos corticoides tópicos e sistémicos com resposta positiva.

Figura 2: Uveíte num paciente com Leishmaniose.

Figura 3: Catarata facoinduzida num caniche.

Figura 4: Uveíte num paciente com Ehrlichiose.

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