Caso Clínico de Oncologia
Pantufa, gato macho castrado europeu comum com 3 anos de idade.
História Pregressa:
Inapetência há uma semana e prostração.
Nota-se respiração ligeiramente ofegante.
Exame Clínico:
Auscultação com abafamento dos sons cardíacos e respiratórias e dispneia principalmente quando manipulado.
Restante exame clínico normal.
Exames complementares de diagnóstico:
Radiografia torácica LL:

Figura 1: Efusão pleural
Detectou-se efusão pleural provocando compressão pulmonar.
Exames laboratoriais:
Realizou-se teste de ELISA para despiste de FIV (Vírus da Imunodeficiência Felina) e FeLV (Vírus da Leucemia Felina).
Teste FIV – negativo
Teste FeLV – positivo
Procedeu-se a drenagem da efusão por toracocentese e realizou-se análise citológica do líquido colhido.
Diagnóstico: Linfossarcoma mediastínico associado a Leucemia Felina

Figura 2: Presença de grande número de linfoblastos com nucléolo central bem evidente em líquido de efusão pleural permite diagnóstico de linfossarcoma mediastínico.
Tratamento:
O tratamento baseou-se na drenagem do líquido pleura associado a quimioterapia. O protocolo de quimioterapia utilizado neste caso foi o COAP (combinação de vincristina, ciclofosfamida, prednisolona e doxorrubicina).
Prognóstico:
Infelizmente, o linfossarcoma felino apresenta prognóstico reservado. O tempo de médio de sobrevivência dos gatos sujeitos a quimioterapia varia entre 2 a 6 meses. Contudo, a quimioterapia deve ser ponderada principalmente quando não existem outras complicações nomeadamente anemia hipoplástica/aplastica ou outras infecções associadas.
Felizmente, a quimioterapia não apresenta efeitos secundários de maior nos cães e dos gatos, ao contrário do que acontece nas pessoas. Deve ser ponderada no sentido de possibilitar o prolongamento da qualidade de vida dos pacientes.
Evolução clínica:
A resposta do Pantufa à quimioterapia foi favorável, havendo remissão total logo na primeira semana após início da quimioterapia. Foi no entanto descontinuado o tratamento semanal com vincristina pois demonstrou sinais tendenciais de anemia em hemogramas de controlo.

Figura 3: Radiografia laterolateral do Pantufa uma semana depois do início de tratamento com quimioterapia.