A Leishmaniose é uma doença causada por um parasita, mais precisamente por um
protozoario. Por se tratar de uma zoonose (doença transmissível entre o Homem e animais) que afecta com frequência os nossos cães, entendi pertinente abordar o tema no nosso primeiro Boletim Informativo (BI). A Leishmaniose existe em 88 países, e tem uma incidência de 2 milhões de novos casos/ano. O panorama em Portugal é muito distinto em Medicina Humana e em Medicina Veterinária. Em Medicina Humana, embora exista provavelmente sub notificação, foram notificados 185 casos nos últimos 10 anos. Simplisticamente podemos dizer que é uma doença rara, e sobretudo uma doença infantil e associada a estados de depressão do sistema imunitário como seja o caso de pessoas submetidas a quimioterapicos.
Em Medicina Veterinaria a realidade é totalmente distinta, é uma doença muito frequente e que afecta cães de todas as raças e idades.Porque o sistema de notificação é deficiente não é possivel falar de numeros a nivel nacional, podemos afirmar que neste Hospital desde 2002 até hoje foram diagnosticados 1200 casos.
A Leishmaniose é transmitida por uma mosca de pequenas dimensões, falando-se por isso na gíria da doença do mosquito. Assim sendo o cão infecta-se quando picado por uma mosca que tenha picado outro cão infectado. Uma vez picado, o cão pode ficar doente, com períodos de incubação que vão de poucas semanas a anos, ou o seu sistema imunitário pode ser capaz de evitar o desenvolvimento da doença, podendo no entanto ficar portador. Esta dualidade infecção/doença é complexa e por vezes levanta questões de difícil resposta ao médico, como por exemplo se devem os animais infectados ser tratados na ausência de sintomatologia?? Obviamente que o propósito deste artigo não é responder a este tipo de questões que devem, individualmente, ser analisadas e discutidas caso a caso.
Para os animais doentes o prognostico é reservado mas graças ao melhor conhecimento da doença, são cada vez mais os animais que atingem a cura clínica.
Nesta, como em todas as doenças, é melhor prevenir. Enquanto não está disponível no nosso país a vacina, resta-nos colocar coleiras e/ou spot-on (pipetas) com acção repelente para a mosca. Se esta medida não resultar apostar no diagnóstico precoce e estabelecer o melhor tratamento para cada animal.
Queremos que os clientes do Hospital Veterinário do Restelo estejam esclarecidos sobre esta zoonose, estou em meu nome pessoal empenhada nesta tarefa e disponível para qualquer esclarecimento.
Maria João Dinis da Fonseca
dinisdafonseca@yahoo.es