BI
Nº36
BI Nº 36 Hipertiroidismo Felino
- A doença hormonal mais comum nos gatos –


Hipertiroidismo... O que é?

O hipertiroidismo é uma patologia endócrina muito frequente em gatos adultos que resulta de uma hiperactividade da glândula tiróide. Esta glândula, localizada na base do pescoço e ao nível da traqueia produz as hormonas T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina) que possuem uma função importante na regulação do metabolismo basal do animal. Ao funcionar de forma “exagerada”, estas hormonas são produzidas em excesso, aumentando o metabolismo e provocando alterações ao nível de outros sistemas do organismo, tais como o sistema cardiovascular, o músculo-esquelético, gastrointestinal, urinário e nervoso.
É importante que reconheça os sintomas desta doença para poder fornecer uma melhor qualidade de vida ao seu animal.


 

Quais as causas da doença?

O hipertiroidismo não apresenta predisposição racial nem sexual.
Sendo considerada uma doença de animais adultos a geriátricos verifica-se maioritariamente numa faixa compreendida entre os 4 e 22 anos, com uma média de 13 anos de idade e raro em gatos com menos de 7 anos.
Na grande maioria dos casos, é provocada por um tumor benigno da glândula tiróide (adenoma nodular). A causa do desenvolvimento desta neoplasia ainda não se encontra definida. No entanto, estudos referem que alguns factores podem estar envolvidos tais como alterações na dieta, conservantes e aditivos, exposição ambiental a alergénos e toxinas, entre outros.


Quais os sintomas mais frequentes do gato hipertiroide?

Uma vez que a doença envolve
vários compartimentos orgânicos, os gatos hipertiroides apresentam uma grande variedade de sinais clínicos que podem variar de gravidade, conforme a capacidade do animal em se adaptar ao aumento das hormonas em circulação. Normalmente, a sua instalação é insidiosa, demorando algum tempo até se desenvolver sintomatologia.
Um dos principais sintomas é o aumento de apetite do gato, no entanto ver ifica-se uma perda de peso. O pêlo apresenta um aspecto baço e quebradiço e podem existir zonas de alopécia (sem pêlo). Outros sinais incluem: aumento de actividade, aumento da frequência cardíaca e respiratória, vómitos, diarreia, poliúria e polidipsia, isto é, aumento do consumo de água e produção de urina. Raramente, o animal pode
apresentar depressão, apatia e perda de apetite.


Como se faz o diagnóstico?


Para além da identificação dos sinais clínicos, ao exame físico o Médico Veterinário, através
da palpação, poderá sentir o aumento do tamanho da glândula tiróide e alteração da sua consistência. No entanto, e como alguns sintomas são comuns a outras afecções como a Insuficiência Renal ou Diabetes Mellitus, são necessários exames sanguíneos para confirmar o diagnóstico e avaliar a função renal e cardíaca. Devem medir-se os níveis de hormonas no sangue (T4), proceder à auscultação e descartar outras patologias. No entanto, em alguns gatos, os níveis séricos encontram-se normalizados e pode demorar algum tempo até ser feito o diagnóstico definitivo. Outro factor importante a ter em conta é a presença de hipertensão arterial sistémica nestes animais.


Existe tratamento?

Sim. Existe um tratamento médico e um tratamento cirúrgico, considerado a melhor forma de tratar esta patologia. Consiste na remoção da glândula afectada ficando o animal totalmente curado e sem necessidade de tratamento médico. No entanto, é necessário ponderar cuidadosamente a realização da cirurgia em animais geriátricos ou em doentes renais, hepáticos ou cardíacos.
Em relação ao tratamento médico, pode ser eficaz para promover uma melhoria da qualidade de vida do animal caso este seja doente renal mas não assegura a sua cura, visto que não remove a causa primária do hipertiroidismo. Baseia-se na administração de medicamentos que bloqueiam a produção de hormonas tiroideias. No entanto, será um tratamento a manter para o resto da vida do animal podendo ocorrer alguns efeitos secundários.
Deste modo, a escolha do tratamento a efectuar baseia-se na idade do animal, severidade e progressão da doença, patologias concorrentes e custos monetários.


Qual o prognóstico destes animais?

Com o tratamento médico, o prognóstico é de reservado a bom, dependendo da regulação da medicação e da existência ou não de efeitos secundários. Após a cirurgia, normalmente o prognóstico é favorável, se não ocorrerem complicações ou existência de tecidos ectópicos.
No entanto, o animal deve ser seguido regularmente pelo Médico Veterinário.

     
 
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