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BI Nº35
BI Nº 35 Cardiomiopatia Hipertrófica Felina
- Uma patologia, por vezes, assimptomática!! –
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Apesar da complexidade relativa do seu nome, podemos simplificar o significado desta patolgia: coração (cardio), doença muscular (miopatia), espessamento anormal (hipertrófica). É, portanto, uma doença que provoca o espessamento da parede do ventrículo esquerdo do coração.
Não se conhece ao certo a causa da cardiomiopatia hipertrófica mas sabe-se que possui uma componente hereditária, transmitindo-se através de um gene dominante que sofre uma mutação, provocando uma deficiente produção das proteínas contractéis. Em compensação, o miocárdio produz as mesmas em excesso, provocando assim o espessamento progressivo das paredes. Este aumento de espessura ocorre no ventrículo esquerdo e/ou no septo interventricular, sobretudo em gatos. Os músculos papilares, que são extremamente importantes no impedimento do refluxo sanguíneo durante a contracção cardíaca, podem também sofrer um espessamento anormal aquando da doença.
Quais as consequências deste espessamento da parede muscular?
Uma vez que o músculo cardíaco fica mais espesso, o espaço presente no ventrículo esquerdo diminui logo, a quantidade de sangue ejectada a cada batimento caradíaco será menor.
Ocorre igualmente um aumento da pressão no interior do ventrículo e as válvulas cardíacas presentes entre o ventrículo e o átrio esquerdos vão progressivamente enfraquecendo, permitindo algum grau de regurgitação sanguínea.
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| Aspecto de um coração normal |
Aspecto de um coração afectado pela CHF |
Quais são os sintomas?
Os gatos portadores da patologia cansam-se mais facilmente, uma vez que o sangue não transporta oxigénio suficiente aos restantes tecidos, podendo mesmo ocorrer síncope (desmaio) do animal. Do mesmo modo, podem adquirir líquido nos pulmões provocando tosse, e também podem formar-se edemas em outras regiões do corpo. À auscultação, podem ser detectados ritmos cardíacos acelerados e alterações dos sons cardíacos normais.
Infelizmente, a morte súbita também pode ocorrer devido a uma paragem súbita dos batimentos cardíacos ou a uma perturbação mais severa do ritmo cardíaco.
Como se efectua o diagnóstico?
Actualmente, a melhor forma de diagnosticar a doença é através de uma ecocardiografia com Doppler. Com este exame, o Médico Veterinário pode avaliar a estrutura física do coração e a sua funcionalidade dinâmica, ou seja, permite visualizar se existem zonas do coração espessadas, o batimento cardíaco e a circulação sanguínea no seu interior.
Apesar de ser um exame que não causa dor e geralmente bem tolerado pelo animal, se este se encontrar nervoso pode ser necessária a administração de um ligeiro sedativo, uma vez que é importante o gato estar o mais calmo possível.
Existe tratamento para a doença?
A Cardiomiopatia Hipertrófica Felina não tem cura.
O tratamento médico existente será apenas paliativo para aliviar os sintomas, promover o enchimento ventricular, aliviar a congestão e controlar arritmias.
Os gatinhos afectados podem ser tratados com diuréticos para diminuir a quantidade de líquido que se acumula nos pulmões e outras partes do corpo. Podem também ser administrados bloqueadores β-adrenérgicos e bloqueadores dos canais de cálcio para reduzir a pressão no ventrículo, a frequência cardíaca e a obstrução do fluxo ventricular.
Dependendo da intensidade da patologia, outras medidas podem vir a ser tomadas como o repouso máximo do animal ou a administração de oxigénio. Em relação à dieta, recomenda-se uma restrição de Na+ (sódio) e a suplementação com taurina (aminoácido).
Não esquecer...
Sendo a CHF uma doença hereditária, todos os gatinhos diagnosticados devem ser afastados das linhas de criação.
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