BI
Nº31
BI nº 31 A Quadra Festiva e os Cuidados a ter com o meu Animal de Estimação
Aproxima-se a alegria do Natal prontamente seguida pela folia
da entrada no Ano Novo.
Trata-se de uma época festiva que convida a alguns excessos motivados pela felicidade de partilharmos com a família e com os amigos duas datas para nós muito marcantes. No entanto, é muito frequente recebermos urgências no Hospital Veterinário de algumas
situações que ocorrem na sequência da ocasião. Preparámos este boletim informativo com o objectivo de informar os donos das complicações que são infelizmente recorrentes todos os anos e que podem ser facilmente evitadas.

AS INTOXICAÇÕES

 
Alguns dos alimentos mais comuns presentes na época do natal podem ser tóxicos para os animais de companhia, podendo originar quadros clínicos graves. O chocolate, por exemplo, apresenta alcalóides derivados da metilxantina, que quando ingeridos em grande quantidade, provocam sintomas como excitação, convulsões, taquicardia, taquipneia, hipotensão e, em quadros mais avançados, pode conduzir a arritmias graves,  conduzir a coma e eventualmente morte. A concentração de metilxantinas var
ia de acordo com os “tipos” de chocolate: por exemplo, o chocolate de culinária apresenta 16 mg/g de metilxantinas enquanto o chocolate de leite apresenta 2 mg/g. Sendo que a dose letal mínima do é de cerca de 100 mg/Kg, bastariam 120 g de chocolate culinário para provocar uma intoxicação grave e potencialmente letal num cão.
Um fruto comum na mesa de natal são as uvas, principalmente as passas. Estão descritos já inúmeros casos de intoxicação com passas em doses tão baixas com 2,8 mg/Kg, sendo a complicação mais frequente uma insuficiência renal aguda difícil de reverter. Este alimento merece especial cuidado na altura do ano novo, já que muita gente expande a tradição das “12 Passas” ao seu animal de estimação.
Um outro alimento que é comummente implicado como potencialmente tóxico para os animais é a cebola. A cebola pode ser responsável por reacções oxidativas na membrana citoplasmática das hemácias, podendo estar na base de anemias hemolíticas graves. O potencial tóxico da cebola prevalece mesmo depois de cozinhada. A cebola é muitas vezes utilizada nos refugados, como condimento ou mesmo cozida acompanhando o bacalhau na noite da consoada.

AS GASTROENTERITES:



Os animais são peritos na estimulação da sensibilidade humana e são especialistas no charme de pedir comida. Mesmo às vezes sem perceber, o dono tende a estender algo à boca do seu animal de estimação pensando estar a gratificá-lo e a saciá-lo de maneira especial. São também dotados de uma capacidade brilhante de “assalto”, comendo muitas vezes coisas sem o dono dar conta. A noite de natal e a festa de passagem de ano são peculiarmente propícios em alimentos que podem provocar gastroenterite em animais Evite dar qualquer tipo de doce, todo o tipo de alimentos fortemente condimentados, enchidos (a carne de porco é particularmente irritante para o intestino dos canídeos), fritos e principalmente ossos – os ossos não são alimento e não são digeridos pelo intestino do cão actuando como potenciais corpos estranhos cortantes.
Um erro comum em quadros de gastroenterite é a administração de azeite pelos donos. Trata-se de uma “mezinha” originada pelo folclore popular sem qualquer fundamento. Recordamos que o azeite tem um teor essencialmente lipídico pelo que requer algum esforço do pâncreas para ser digerido, pode ser ele próprio irritante para a mucosa intestinal e potencia a passagem de potenciais tóxicos do estômago para o intestino delgado.
Nunca medique o seu animal de estimação sem aconselhamento medico-veterinário: se o vir prostrado e enjoado pois medicamentos relativamente inofensivos para os humanos (como o paracetamol) são tóxicos para os gatos e cães.

OS CORPOS ESTRANHOS GASTROINTESTINAIS:


Corpos estranhos são todo o tipo de objectos não alimentares que podem ser potencialmente ingerido pelos animais. Na altura do Natal são muitos e muito atractivos. Destacam-se os efeitos de Natal: as bolas, as fitas e as pinhas coloridas suscitam muitas a curiosidade e acabam por ser, acidental ou intencionalmente, ingeridos pelos animais de companhia. É de salientar a apetência especial dos gatos pelos corpos estranho s lineares (como as fitas da arvore de natal e dos embrulhos) – provocam muitas vezes quadros obstrutivos graves e por vezes de diagnóstico difícil. As situações obstrutivas são cirúrgicas e de tratamento urgente.
     
 
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