BI
Nº25
BI nº25 Diabetes Mellitus

       Para sobreviverem, todas as células que compõem os vários orgãos necessitam de glucose, um açúcar obtido sobretudo através dos alimentos e que é transportado para as células através do sangue. Para que as células possam retirar a glucose do sangue, é necessário a presença de uma substância denominada insulina. A insulina é produzida no pâncreas e, tal como acontece nos humanos, quando ela não está presente ocorre uma doença chamada diabetes mellitus.
 
      Nos cães esta patologia tem várias causas, como sejam factores genéticos, obesidade, administração de certos medicamentos ou ainda outras doenças concomitantes. Geralmente surge em cães com idade entre os 7 e os 9 anos, podendo também ocorrer, embora raramente, em cães com menos de 1 ano. As raças mais predispostas a sofrerem de diabetes mellitus são os Caniches, Dachshunds, Labradores, Golden Retrivers, Huskie Siberianos e Yorkshire Terriers, podendo contudo surgir também noutras raças ou raças mistas.

Quais os principais sintomas?

       Como não existe insulina para fazer o transporte da glucose para as células, começa a haver acumulação de açúcar no sangue. Este açúcar em excesso, que arrasta consigo grandes quantidades de água, é eliminado do organismo através da urina. Assim, um dos primeiros sintomas que se observa num cão diabético é a produção de grande quantidade de urina (o cão pode, por exemplo, começar a urinar dentro de casa). Para compensar os fluidos perdidos através da urina excessiva, o cão irá também beber maior quantidade de água.
 
       Por outro lado, como as células não recebem glucose ficam “famintas” e enviam a informação de que necessitam de energia para continuarem a funcionar; esta informação enviada pelas células traduz-se num aumento de apetite do cão, que assim irá consumir maior quantidade de alimento que o habitual. Apesar do cão comer mais, as células continuam a não receber glucose (devido à ausência de insulina) e como tal vão obter a energia de que necessitam degradando as reservas de açúcar dos músculos e da gordura; como consequência, o cão diabético começará a perder peso.
      Assim, em resumo, os 4 principais sintomas de diabetes mellitus são: aumento do consumo de água; aumento da produção de urina; aumento do consumo de alimento e perda de peso.

Como é feito o diagnóstico?

      Caso o seu cão apresente os 4 sintomas referidos anteriormente, deverá leva-lo ao veterinário. A partir dos sinais clínicos observados haverá a suspeita de diabetes mellitus, suspeita esta que será confirmada através da realização de alguns testes complementares. Estes testes podem incluir hemograma, bioquímicas séricas e análises à urina e com eles pretende-se pesquisar a quantidade de açúcar no sangue e na urina do cão em jejum.

Em que consiste o tratamento desta doença?
 
      Os principais objectivos do tratamento são eliminar os 4 sintomas do cão diabético, bem como impedir ou minimizar a ocorrência de complicações secundárias, muito comuns nesta doença. Pretende-se deste modo, que a quantidade de glucose no sangue se mantenha o mais próxima do normal possível, o que pode ser conseguido através da administração de insulina e de uma dieta adequada.

1 – Dieta

      Os cães com diabetes mellitus devem fazer uma dieta que evite um aumento brusco da quantidade de glucose no sangue após as refeições. Com este objectivo, deve ser administrada uma dieta que contenha grande quantidade de fibra, pois a fibra torna mais lenta a saída dos alimentos do estômago, evitando um aumento repentino da glucose no sangue.
É também importante que a quantidade e composição das refeições seja igual todos os dias que o alimento seja dado ao cão após a injecção de insulina.


2 – Insulina

       Em geral, para controlar os sinais de diabetes mellitus, os cães necessitam de 1 ou 2 injecções diárias de insulina. O objectivo da administração de insulina é “imitar” a produção fisiológica desta substância pelo organismo. Existem vários tipos de insulina, dependendo a escolha do tipo mais apropriado das características do cão, da disponibilidade do dono, do número de refeições diárias, entre outros factores.
 Cães diabéticos recentemente diagnosticados são geralmente internados por um período de 24 a 48 horas para que se possa completar a avaliação do paciente e para que se dê inicio à terapia com insulina. Durante este período inicial são também transmitidas ao dono algumas informações a respeito da administração de insulina, tais como:
        - Como administrar a insulina por via subcutânea;
        - Mudar regularmente o local da injecção;
        - Mudar a agulha periodicamente (em média cada agulha serve para 4 injecções);
        - Guardar a insulina no frigorifico e não expor o frasco à luz solar;
        - Misturar a insulina sempre muito suavemente, rolando o frasco entre os dedos e verificando se há depósito antes da administração.
 
       Embora inicialmente este processo possa parecer assustador para os donos, com algum tempo, paciência e persistência, as injecções diárias de insulina passarão a fazer parte da rotina, sendo facilmente executadas pelo dono e bem toleradas pelo seu cão.
       Iniciado o tratamento com insulina, são feitas reavaliações geralmente semanais pelo veterinário. O objectivo destas reavaliações é estabelecer um protocolo de tratamento insulínico que permita controlar satisfatoriamente os sinais de diabetes mellitus. Este processo de ajustes iniciais pode demorar cerca de 1 mês e pode implicar modificações da dose, do tipo ou da frequência de administração de insulina.

       Após o estabelecimento do melhor protocolo de tratamento com insulina, é crucial que seja feita a monitorização do cão diabético, tanto em casa pelo dono, como pelo veterinário no hospital. Assim, o dono deve observar diariamente a quantidade de água ingerida pelo cão, a quantidade de urina produzida, variações na quantidade de alimento consumido, atitude geral do cão, entre outros aspectos. Pode ainda ser importante em alguns casos, que o dono faça também a medição da quantidade de glucose no sangue (através de pequenos aparelhos portáteis, também usados por pessoas diabéticas) ou alternativamente, da quantidade de glucose na urina (através de tiras que podem ser adquiridas na farmácia).

       A cada 3 a 6 meses é feita a monitorização pelo veterinário, que tem por base o exame físico, medição do peso, medição da glucose no sangue, entre outros parâmetros. É também importante que nestas reavaliações o dono transmita ao veterinário a sua opinião sobre o estado de saúde do seu companheiro, bem como o seu grau de satisfação em relação ao tratamento.

      Se os sinais clínicos recidivarem ou se ocorrerem outras complicações, esta reavaliação será realizada mais cedo. De facto, é possível que mesmo após o início do tratamento, o cão diabético continue a manifestar sinais de diabetes mellitus. Caso isto ocorra, é importante pesquisar as possíveis causas de ineficiência da insulina, tais como: dose, tipo ou frequência inadequadas de insulina; má técnica de administração de insulina ou ainda outras doenças concomitantes que possam causar resistência à insulina. Outra complicação comum decorrente da administração de insulina é a existência de níveis demasiado baixos de glucose no sangue. Esta situação pode ocorrer, por exemplo, devido à administração de uma dose excessiva de insulina e os sintomas incluem fraqueza, inclinação da cabeça, letargia e convulsões. Um cão diabético que manifeste estes sinais deve ser levado rapidamente ao veterinário.

Qual o prognóstico?

      O prognóstico para cães diabéticos depende de vários factores, entre os quais a presença ou ausência de outras complicações crónicas. As complicações crónicas mais comuns em cães são a cegueira devido à formação de cataratas, pancreatite crónica e infecções urinárias, respiratórias ou da pele; um bom controlo dos níveis de glucose no sangue permite diminuir os riscos de aparecimento destas complicações.
Em geral, os cães diabéticos têm, a longo prazo, um prognóstico reservado, vivendo em média menos de 5 anos após o diagnóstico. Contudo, com os cuidados adequados do dono e avaliações regulares do veterinário, o cão diabético pode ter uma vida estável e feliz durante alguns anos.

     
 
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