BI
Nº24
BI nº24 Hiperadrenocorticismo em cães

O que é o Hiperadrenocorticismo?

            O hiperadrenocorticismo, também designado por Síndrome de Cushing, é uma patologia endócrina, que consiste no aumento crónico de uma hormona chamada cortisol. O cortisol é produzido nas glândulas supra-renais, que se localizam junto aos rins e cuja produção é controlada por hormonas enviadas pelo cérebro, mais precisamente pela hipófise.
            Esta doença surge normalmente entre os 7 e os 9 anos e afecta sobretudo os cães das raças Teckel, Caniche, Boxer, Beagle e Pastor Alemão, podendo contudo desenvolver-se noutras raças e raças mistas.

Quais as causas desta patologia?

            Em cerca de 80 a 85% dos cães com Síndrome de Cushing, a causa da patologia é um tumor na hipófise. Este tumor leva à estimulação excessiva das glândulas supra-renais, que ficam deste modo aumentadas e produzem quantidades demasiado elevadas de cortisol.
            Os restantes 15 a 20% dos cães com hiperadrenocorticismo apresentam tumor numa das glândulas supra-renais, sendo esta a fonte de produção excessiva de cortisol.
            Esta patologia pode ainda ter uma causa iatrogénica, isto é, pode ser provocada pela administração de corticoesteróides, usados no tratamento de diversas doenças.

 Que sintomas apresenta um cão com hiperadrenocorticismo?

            A maioria dos cães com hiperadrenocorticismo apresenta sintomas iniciais pouco evidentes e que os donos atribuem muitas vezes à idade já avançada do seu companheiro. É por isso importante saber reconhecer estes sintomas, de modo a evitar a sua evolução para estados mais graves.

   Assim, os principais sinais clínicos de Síndrome de Cushing incluem polidipsia (o cão bebe mais água que o habitual), poliúria (o cão produz maior quantidade de urina que o habitual), polifagia (o cão ingere quantidades muito grandes de alimento), aumento do volume abdominal (abdómen pendular), alopécia (perda de pêlo) no flanco, pele fina e frágil com maior propensão a lesões, respiração ofegante, fraqueza muscular e letargia.
            É importante referir que a maioria dos cães com esta patologia demonstra apenas alguns destes problemas e não todos eles ao mesmo tempo.

 Como é feito o diagnóstico desta doença?

            Há suspeita que um cão tem Síndrome de Cushing quando apresenta os sintomas já descritos. A partir desta suspeita inicial, o veterinário poderá realizar alguns testes, nomeadamente hemograma, bioquímicas séricas e análises à urina; estes testes iniciais não conduzem ao diagnóstico definitivo de hiperadrenocorticismo, mas permitem ao veterinário saber se está a seguir o diagnóstico correcto e permitem também encontrar possíveis complicações secundárias. O veterinário poderá ainda realizar uma ecografia abdominal, que irá permitir observar o tamanho e a forma das glândulas supra-renais.

   Se após a realização destes testes persistir a suspeita de hiperadrenocorticismo, serão então realizados testes mais específicos que permitem chegar ao diagnóstico definitivo e a partir deste, estabelecer o tratamento mais apropriado. Estes testes baseiam-se na recolha de sangue antes e após a administração de hormonas especificas, que têm a capacidade de alterar a produção de cortisol; o sangue colhido é depois enviado para laboratório.

 Existe tratamento para o Síndrome de Cushing?

            Existem vários tratamentos para esta doença, sendo que actualmente o mais utilizado é a terapia com Vetoryl (Trilostano). Este medicamento bloqueia a produção do cortisol, permitindo num curto espaço de tempo a melhoria dos sinais clínicos apresentados pelo cão. As alterações de pele, nomeadamente a sua fragilidade e a queda de pêlo, demoram mais tempo a recuperar, ocorrendo melhorias visíveis apenas ao fim de alguns meses.

   O Vetoryl é vendido sob a forma de comprimidos, que são administrados diariamente, na maioria dos casos durante o resto da vida do cão. Após o início do tratamento é conveniente visitar o veterinário regularmente (cada 3 a 4 meses), para monitorizar a eficácia da terapêutica, bem como fazer possíveis alterações na dose administrada.

 Quando o Síndrome de Cushing é provocado por um tumor supra-renal, o tratamento poderá consistir na remoção cirúrgica do tumor. Contudo, por ser um procedimento cirúrgico difícil e que traz potenciais complicações, não é recomendado para todos os cão com tumor supra-renal, cabendo ao veterinário, juntamente com o dono, ponderar qual o tratamento mais apropriado para o paciente.

 Qual é o prognóstico?

            O prognóstico desta patologia depende do tipo de hiperadrenocorticismo (tumor na hipófise, tumor supra-renal ou forma iatrogénica) e dos sintomas a ele associado, bem como da correcta realização do tratamento. Contudo, ainda que o tratamento seja realizado é possível que se desenvolvam complicações secundárias ao Síndrome de Cushing, que tornam o prognóstico mais reservado. Entre estas complicações destacam-se as infecções urinárias, pancreatite, diabetes mellitus, tromboembolismo pulmonar, entre outras.

 

     
 
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