O que é?
A Doença Degenerativa Articular (DDA) é uma patologia crónica, progressiva e minimamente inflamatória das articulações, resultando em lesões na cartilagem articular, com alterações degenerativas e proliferativas.
A DDA pode ser primária ou secundária a outra patologia. A primeira surge em pacientes geriátricos pelo desgaste e aparecimento de fissuras da cartilagem que ocorre com o envelhecimento. A DDA secundária é a mais frequente em animais de companhia e desenvolve-se por condições conhecidas que afectam a articulação e estruturas que a suportam, tal como displasia de anca, displasia de cotovelo, ruptura do ligamento cruzado cranial (do joelho), etc.
Como se desenvolve?
A cartilagem normal é composta por colagéneo e uma matriz proteica produzidos e mantidos pelas células cartilagíneas, os condrócitos. O desgaste da cartilagem leva destruição de condrócitos, que libertam enzimas enzimas degradativos na matriz, diminuindo a resistência da cartilagem, levando à exposição do colagéneo e ao aparecimento de fissuras. Estas provocam destruição de condrócitos, perpetuando o processo.
Com a DDA a cartilagem perde espessura, fica mole e esponjosa, torna-se amarelada e fissura. A nível ósseo, surgem lesões de esclerose (anormal aumento da densidade e rigidez óssea) sob as zonas de erosão cartilagínea, formam-se osteófitos, que são pequenas ossificações intra-articulares ou a nível da cápsula articular e pode haver a formação de quistos sob a cartilagem.
Quais são os sintomas?
Os sintomas mais comuns são dificuldades locomotoras, intolerância ao exercício, claudicação (permanente ou intermitente) e atrofia muscular. O paciente apresenta dor, diminuição da amplitude de movimentos e por vezes, crepitação e inchaço nas articulações.
Inicialmente pode ser visível apenas alguma rigidez nos movimentos ou claudicação intermitente, que piora com clima frio e húmido ou com exercício vigoroso. Com o desenvolvimento da doença, a dor torna-se difícil de suportar, resultado em claudicação permanente e atrofia muscular; nesta fase a dor pode também manifestar-se por perda de apetite e alterações de comportamento, como irritabilidade ou inquietude.
Como se trata?
Antes de mais, os objectivos do tratamento são minimizar a dor e desconforto e impedir (ou atrasar) a degeneração da cartilagem articular. Uma vez que a maior parte dos casos de DDA são secundários a outra patologia, é fundamental que esta seja corrigida quanto antes, de modo a prevenir o precoce desenvolvimento da doença.
Exercício:
Nos momentos em que a doença se agudiza, regista-se inflamação moderada na articulação e portanto exercício agrava e prolonga esta inflamação. Nesta fase, uma maior restrição de actividade é muito útil. Não se recomenda desuso total das articulações afectadas, mas sim limitar o exercício a pequenos passeios à trela, eliminando as corridas e saltos.
Dieta:
O peso excessivo aumenta as forças exercidas na articulação, aumentando os níveis de dor e acelerando a degeneração da cartilagem. É vivamente recomendada a rápida perda de peso quando este é excessivo.
Acupunctura:
A acupunctura tem mostrado resultados promissores na redução de dor e aumento do uso dos membros com articulações afectadas pela DDA.
Anti-inflamatórios:
Os anti-inflamatórios não esteróides (AINE) são frequentemente usados no maneio da DDA, sendo particularmente úteis na redução da dor e desconforto. Como os AINE reduzem a dor, é frequente os animais aumentarem consideravelmente os níveis de actividade, podendo agravar a doença. É, por isso, recomendado que enquanto os pacientes tomam analgésicos, que façam repouso.
Apesar dos AINE usados actualmente serem bastante seguros, os efeitos secundários (por exemplo, a nível gastrintestinal, renal, hepático, ect) são preocupantes e para serem tidos em conta aquando da prescrição dos mesmos.
Os anti-inflamatórios esteróides, apesar do potente efeito anti-inflamatório, provocam uma marcada inibição da síntese de proteoglicanos e colagéneo, resultando na depleção da matriz e progressão da DDA. Este facto, associado aos conhecidos efeitos secundários sistémicos, impede que sejam usados com frequência.
Analgésicos opióides:
Apesar de não fazerem parte do tratamento de rotina da DDA, são particularmente úteis em casos de dor intensa e incapacitante. Como são melhor tolerados em tratamentos prolongados, são usados frequentemente em animais com dor crónica.
Condroprotectores:
Os condroprotectores apresentam uma composição química semelhante à dos mucopolissacáridos de que a cartilagem é constituída. O objectivo é proteger a cartilagem articular aumentado a produção de matriz ou diminuindo o ritmo de degradação da mesma.
Como condroprotectores são usados: ácido hialurónico (um componente importante do líquido sinovial); sulfato de condroitina (molécula predominante na cartilagem articular) e glucosamina (constituinte dos glucosaminoglicanos na cartilagem e do ácido hialurónico no líquido sinovial).
Cirurgia:
A cirurgia é considerada nos casos em que o tratamento conservador não permite aliviar satisfatoriamente a dor e perda de função. As técnicas disponíveis são várias e incluem remoção de osteófitos, artrodese (fusão dos ossos de uma articulação, eliminando instabilidade e dor), artroplastia (colocação de uma prótese de anca, por exemplo), entre outras.