BI
Nº21
BI nº21 Tudo Sobre Vacinação em Cães
Introdução:
 
A vacinação é muito importante para manter o seu cão de boa saúde. As vacinas protegem contra algumas doenças, muitas delas fatais para o seu animal e algumas podem mesmo ser transmitidas aos humanos.
 
As mais importantes são: parvovirose, esgana, leptospirose, hepatite, tosse do canil e raiva. Contudo, existem vacinas disponíveis para outras doenças que podem provocar quadros clínicos muito graves, tais como a piroplasmose e a tosse do canil.
 
Doenças como a leptospirose podem ser fatais para as pessoas e podem ser transmitidas do cão para a pessoa. A vacinação constitui uma maneira eficaz.
 
Não hesite em trazer o seu cão para vacinar para segurança dele e da família que o rodeia.
 
Como Funcionam as Vacinas?
 
Uma vacina consiste num medicamento em que o princípio activo é uma forma morta ou uma porção de determinado vírus, bactéria ou outro microrganismo (antigénio), que quando inoculado, estimula o sistema imunitário a produzir anti-corpos contra aquele antigénio. O antigénio estimula os glóbulos brancos, em particular os linfócitos B que fazem o seu reconhecimento e estimulam outros glóbulos brancos (células plasmáticas) a produzir anti-corpos. Os anti-corpos são proteínas complexas que se ligam aos antigénios, inactivando-os ou permitindo a sua fagocitose por outros glóbulos brancos (como os neutrófilos e os macrófagos). Esta informação é então passada para linfócitos T helper que estimulam a produção de células T de memória.
Basicamente, o sistema imunitário guarda uma “memória” dos anti-corpos que deve produzir para determinado antigénio.
Assim, quando contacta pela segunda vez com o mesmo antigénio, a produção de anti-corpos será mais rápida e a quantidade de anti-corpos produzida também será maior.
 
Que Doenças Podem Ser Protegidas Por Vacinação?
 
Abaixo descrevem-se as doenças para as quais existe vacinação efectiva em cães:
 
Esgana - é uma doença vírica universal, de alta mortalidade com
manifestações variadas. Aproximadamente 50% dos cães não imunizados, se infectados
com vírus da esgana, desenvolvem sinais clínicos da doença e aproximadamente 90%
deles morrem.
 
Hepatite infecciosa canina - é causada pelo adenovírus canino tipo 1 e é caracterizada
por lesões hepáticas e endoteliais generalizadas.
 
Infecções respiratórias por Adenovírus tipo 2 -  causam uma doença respiratória, que
em casos severos, pode resultar em broncopneumonia e pneumonia.
Parainfluenza canina - é uma doença do trato respiratório superior. Geralmente suave ou subclínica, pode tornar-se severa se ocorrer infecção simultânea com outros patogéinos respiratórios (nomeadamente o adenovírus tipo 2 e bactérias como a Bordetella bronchiseptica.). É chamada de modo comum traqueobronquite infecciosa canina ou “tosse do canil”. Os animais mais susceptíveis são os filhotes recém desmamados, os adultos debilitados por outras doenças ou submetidos a stress (ex: viagens longas) confinamentos em clinicas, hotéis, caixas em exposições, alimentações inadequadas e animais idosos.A doença é altamente transmissível por aerossóis (pequenas gotas eliminadas pelos espirros e tosse) e os animais apresentam os primeiros sintomas entre 3 a 10 dias após a infecção podendo persistir com os sintomas durante 3 a 4 semanas. Se não tratada, pode resultar em broncopneumonia grave.
Parvovirose canina - é primariamente uma infecção entérica caracterizada por vómitos e diarreia geralmente hemorrágica. A leucopénia geralmente acompanha os sinais clínicos. Os cães  não vacinados estão susceptíveis em qualquer idade e podem ser afectados, porém, a mortalidade é maior em cachorros. Cachorros  de 4-12 semanas de idade acometidos pela doença ocasionalmente podem apresentar miocardite que pode resultar em deficiência aguda do coração após doença breve e imperceptível. Após a infecção, muitos cães são refractários à doença por um ano ou mais. De forma similar, as cadelas seropositivas podem transferir anticorpos da parvovirose canina aos seus filhotes, podendo conferir imunidade passiva a estes, até que sejam vacinados. Em alguns casos, os anticorpos transmitidos de modo passivo podem permanecer nos cachorros até às 16 semanas!
Coronavírus canino - também causa doença entérica em cães susceptíveis de todas as
idades. Altamente contagioso, o vírus é transmitido inicialmente através de contacto directo com fezes infecciosas e pode causar enterite clínica dentro de 1-4 dias após exposição. A severidade da doença pode ser exacerbada por infecção simultânea com outros agentes.
Sintomas iniciais incluem anorexia, vómito e diarreia. A frequência de vomito geralmente diminui em 1 ou 2 dias após o surto de diarreia, mas a diarreia pode permanecer durante todo o período de infecção e a evacuação ocasionalmente pode ser sanguinolenta. A maioria dos cães, permanece sem febre e não é observada leucopénia em casos não complicados.
 
Leptospirose -ocorre em cães de todas as idades, com uma ampla variação de sinais
clínicos mas quase sempre acompanhada de  insuficiência renal grave e hepatopatia grave geralmente após infecção aguda. Existem 2 tipos de leptospira - a L. canicola e
L.icterohaemorrhagiae  que não podem ser diferenciadas clinicamente.
 
Piroplasmose - esta doença é causada por um parasita da família dos Protozoários chamado piroplasma e, mais particularmente, Babesia canis. Durante o seu ciclo, este parasita necessita de passar por um hospedeiro vector de forma a garantir a transmissão da doença de um cão a outro. Esse vector é a carraça fêmea. A incubação, correspondente ao período de multiplicação dos parasitas no organismo do cão, dura entre dois dias a duas semanas aproximadamente. Durante esta fase, não se encontra nenhum piroplasma no sangue. Após esta fase, os parasitas surgem no sangue e os sintomas aparecem quase simultaneamente. Na forma aguda da doença, o cão apresenta uma hipertermia muito pronunciada, acompanhada por abatimento; a crise febril dura, em média, seis a dez dias. Concomitantemente, aparecem sintomas de anemia (descoloração das mucosas), causada pela destruição dos glóbulos vermelhos aquando da multiplicação dos parasitas no seu interior. Depois de alguns dias de doença, ocorre uma hemoglobinúria: a urina cora-se de sangue. Existem sinais clínicos atípicos, que podem ser manifestações de ordem nervosa, respiratória, digestiva, cutânea ou ainda ocular. A evolução é curta, de no máximo uma semana. Na ausência de tratamento, o estado do cão agrava-se e evolui para o coma e, depois, a morte. Existe uma forma crónica que afecta principalmente os adultos, podendo seguir-se à forma aguda. A febre é menos pronunciada, até mesmo ausente, e, na maioria das vezes, o estado geral de saúde permanece bom. A anemia está sempre presente e é bastante nítida. A evolução desta forma de piroplasmose é lenta e existem possibilidades de complicações. Esta forma pode evoluir durante várias semanas e resultar na morte do cão.
 
Que Cuidados São Necessários Para Uma Vacinação Efectiva?
 
As vacinas têm elevada eficácia em animais sadios. Contudo alguns animais podem ser incapazes de desenvolver ou manter uma adequada resposta imune após a vacinação. Isto poderá ocorrer se os animais estiverem incubando alguma doença infecciosa, estiverem mal nutridos ou parasitados, ou stressados devido ao transporte, ou condições ambientais adversas, imunocomprometidos ou se a vacina não for administrada de acordo com as indicações da bula.
Assim, a vacinação deverá ser precedida de um minucioso exame clínico realizado por um médico veterinário.
 
Como Vacinar Um Cachorro?
 
A capacidade de um cachorro responder a uma vacina é inferior à de um indivíduo adulto. Como tal, o título de anti-corpos resultante de uma vacina não é tão alto num cachorro com 6 semanas como é num cachorro com 18 semanas. Para que se mantenha um título circulante de anti-corpos seguro para o animal é necessário reforçar as vacinas administradas para que os anti-corpos se mantenham em circulação por um período de tempo mais prolongado. A esse “esquema de vacinação inicial” dá-se o nome de primovacinação.
 
Que Vacinas Posso Encontrar no Hospital Veterinário do Restelo?
 
Vanguard CPV – é uma vacina viva atenuada de parvovirus canino; é uma vacina precoce ou seja, pode ser administrada a cachorros antes das 8 semanas. A bula fala mesmo que pode ser administrada a partir das cinco semanas. NORMALMENTE, RECOMENDAMOS QUE SEJA ADMINISTRADA ÀS 6 SEMANAS – É A PRIMEIRA VACINA NOS CÃES.
 
Vanguard 7 – é uma vacina multivalente que é constinuida por estirpes atenuadas do vírus da esgana canina, adenovírus canino tipo 2, vírus da parainfluenza canina, parvovírus canino e culturas inactivadas de leptospira (L.canicola e L.icterohaemorrhagiae). A vacina contra adenovirus tipo 2 confere imunidade cruzada contra o adenovirus tipo 1. Antes existia uma vacina com o agente atenuado do adenovirus tipo 1 mas já não se usa – muitas vezes havia seroconversão e tornava-se na doença activa (infecções renais persistentes, hepatite, uveíte e opacidade da córnea). Pode ser usada a partir das 8 semanas.
 
Quantum – vacina polivalente que permite também imunizar para coronavirus intestinal, sendo uma mais valia acrescida da vanguard. Está descrita maior incidência de nódulos vacinais quando dada em conjunto com outra vacina (por exemplo, raiva). Pode ser administrada logo às 6 semanas com resultados excelentes.
 
Canigen CHL – é uma vacina multivalente constituída por vírus atenuado da esgana, adenovírus tipo 2 atenuado e culturas inactivadas de L canicola e L icterohemorragica. Confere imunidade para esgana, leptospirose e adenovírus tipo 2 e hepatite vírica canina. Pode ser usada a partir das 8 semanas.
 
Parvodog – confere imunidade apenas para parvovirose canina. Embora o fabricante diga que pode ser administrada a partir das 6 semanas, NÃO É RECOMENDÁVEL ANTES DAS 8 SEMANAS.
 
Leptodog e Canigen L - vacinas preparadas a partir de dois sorotipos de Leptospiras,o canicola e o icterohaemorragiae, em iguais partes, cultivadas em meio sintético e inativadas quimicamente. O alto poder imunogênico da vacina permite a obtenção de respostas imunológicas elevadas e rápidas. Pode ser aplicada semestralmente, a partir das 8 semanas, intercalada com a vacinação anual (principalmente em áreas endêmicas).
 
Pirodog – vacina que confere imunidade contra a babesiose ou piroplasmose. Pode ser administrada a partir dos 5 meses. Primovacinação deve ter 1 reforço 21 a 30 dias depois
 
Pneumodog – contém cultura inactivada de Bordetella bronchiseptica e vírus parainfluenza tipo 2. Confere imunidade contra dois dos possíveis patogénios envolvidos no síndrome “tosse do canil”. A primovacinação consiste na administração de duas doses com 2 a 3 semanas de intervalo. Pode ser administrada a partir das 6 semanas de idade.
 
Rabigen – é uma vacina obrigatória por lei. Confere imunidade contra a raiva. Pode ser administrada a partir dos 4 meses se o animal for filho de uma mãe vacinada, sendo obrigatória apenas a partir dos 6 meses.
     
 
design binário