PRINCÍPIOS BÁSICOS DE QUIMIOTERAPIA:
SELECÇÃO DOS CANDIDATOS A QUIMIOTERAPIA:
O principal objectivo da quimioterapia em animais de companhia é prolongar a vida do animal com qualidade de vida, SEM PROVOCAR SOFRIMENTO.
Nem todos os pacientes oncológicos são candidatos a quimioterapia e o esquema de quimioterapia a escolher também depende de muitos factores, tais como::
o diagnóstico – tumores diferentes têm quimiossensibilidades diferentes;
o estado de saúde do paciente;
o estado evolutivo do tumor.
A disponilidade dos donos é essencial – estes devem estar dispostos a participar activamente nos tratamentos, pois a maior parte do acompanhamento é feito em casa. O veterinário deve ser preciso na elucidação da situação clínica em todos os seus aspectos.
CUIDADOS ESPECIAIS NO MANUSEAMENTO DOS QUIMIOTERAPICOS:
A maior parte dos quimioterápicos são altamente tóxicos e apresentam graus variáveis de absorção através do contacto com a pele e mucosas. Como tal, é importante:
calçar SEMPRE LUVAS;
usar protecção para os óculos;
usar máscara cirúrgica;
usar roupa descartável;
preparar sempre os medicamentos em locais facilmente laváveis.
Mesmo quando os medicamentos são administrados em casa, deve-se aconselhar os donos a ter estes cuidados (principalmente calçar luvas).
CUIDADOS ESPECIAIS NA ADMINISTRAÇÃO DOS QUIMIOTERÁPICOS:
Todos os quimioterápicos administrados por via endovenosa devem ser administrados diluidos com soro fisiológico e em infusão.
A maior parte dos quimioterápicos têm efeito citotóxico provocando necrose tecidular quando contactam com os tecidos. É necessário ter a certeza absoluta que estes medicamentos não infiltram nos tecidos subcutâneos, pois se tal acontece resulta em feridas GRAVES.
É importante iniciar os tratamentos em infusão sempre com gotejamento muito lento para controlar potenciais reacções de hipersensibilidade aos fármacos.
Alguns fármacos podem induzir emese (vómito), pelo que pode ser necessário fazer medicação anti-emética antes das sessões de quimioterapia ou mesmo durante todo o tratamento.
Alguns quimioterápicos podem provocar gastrite (ex: prednisolona) pelo que se recomenda a utilização de antagonistas H2 (ex:omeprazole, ranitidina).
VIGILÂNCIA DO PACIENTE:
A maior parte dos agentes quimioterápicos (ex: doxorrubicina, vincristina, vimblastina, ciclofosfamida) são mielotóxicos e podem resultar em aplasia da medula. Esta é provávelmente a complicação mais grave que pode surgir. É importante informar os donos que a função medular deve ser vigiada, pelo que os pacientes devem realizar pelo menos um hemograma semanal durante o tratamento.
Se existirem sinais de leucopénia, trombocitopénia, ou anemia o tratamento deve ser suspendido até que todos os valores retomem a normalidade
Para além da mielotoxicidade, podem haver outras complicações:
Cardiotoxicidade: sabe-se que a doxorrubicina que provoca cardiotoxicidade acumulada, podendo resultar em cardiomiopatia dilatada e pode provocar arritmias. Os pacientes sugeitos a tratamento com doxorrubicina devem fazer reavaliações cardíacas frequentes (ECG, ecocardiografia)
Efeitos gastrointestinais: os fármacos citotóxicos podem ter efeito nocivo sobre a mucosa gastrointestinais e podem ocorrer lesões 5 a 10 dias após a administração dos fármacos. É importante vigiar vómitos, lesões na mucosa oral, diarreias.
Náuseas e vómitos: alguns quimioterápicos acturam directamente no centro de vómito (ex:cisplatino e doxorrubicina).
Nefrotoxicidade (ex: carboplatino; doxorrubicina em gatos): vigiar a função renal.
Flebite e necrose tecidular – já referido anteriormente.
Cistite hemorrágica – ciclofosfamida.
Felizmente, a incidência de efeitos secundários de quimioterápicos em animais domésticos é muito inferior à verificada em medicina humana. São relativamente raros e normalmente a quimioterapia é bem tolerada.